Agente do Conflito

Está tarde, coloquei uma playlist de jazz pra acalmar os ânimos. Ainda chateado com os acontecimentos das últimas semanas. Brigas e discussões dentro de casa. Me pergunto se eu agi certo. O meu agir é simplesmente ficar parado. Sabe-se que a vida não tem um manual. Partindo desse princípio, não há como saber quando agir e quando não agir. Nossas escolhas são baseadas em probabilidades e vivência pessoal de cada um. Por ser uma pessoa calada, pensava estar a frente das outras pessoas que agem com extrema emoção. Acho que estou errado. Sinto estar errado. Nunca saberei. O que era status quo, de repente não era status quo. Eu precisava intervir. Não tenho poderes políticos, não tenho poderes monetários, sou subestimado por todos. Desrespeitado na minha própria casa. Não quero ser escravo emocional de ninguém. Sou autista sim. Sou tímido sim. Não olho nos olhos sim. E, daí? Isso dá o direito das pessoas me humilharem? I don't think so.

Tenho minha filosofia. Filosofia cunhada ao longo da vida. Obecer as autoridades. Não questionar as autoridades. Respeito máximo. Disso surgiu o medo de agir. O fato de agir já é uma falha contra a autoridade. Agir sem ninguém ordenar é uma falha. Se eu precisar agir alguém tem que ordená-lo. Era o mais calado da turma. Sempre fui elogiado por meu comportamento. Prestar atenção. Nunca levantar a mão. Depois de adentrar a vida adulta, sou uma amálgama de criança no corpo de um adulto. Ninguém ordena que eu aja na rua. Ao ter que decidir, vem o desepERRO. Sempre que decido, fico pensando horas a fio na decisão. Foi o correto a fazer? Taquitardia! Foi o correto a FAZER? Suor! Foi o CORRETO A FAZER? Desespero! FOI O CORRETO A FAZER? Não sei...

Dois amigos brigam e deixam de se falar. Devo deixar de falar com um deles em respeito a um deles? Na minha filosofia não. Sou errado por não desfazer amizades por conta de coisas triviais? A + B = C². Agir por conta própria é preciso. Sabe aquele aluno que não temia a autoridade em sala? Talvez ele se saia melhor na vida que outros, ou não. Pelo que presenciei ao longo dessas duas décadas, suponho de sim. Categoricamente. Rodrigo deve estar por aí, sendo diretor de multinacionais, três diplomas no curriculum. Bully maldito. Duas pessoas que eu amo começam a discutir. Não há uma regra que diga o que eu tenha que fazer, eu escolho não fazer nada, a não ser que a situação se desenrole para um ponto extremo é claro. Se a discussão fica mais preocupante meu desejo é que ela pare, e assim eu intervenho. PARE!

Carregado de emoção ele rompe a barreira do respeito, me sinto a pior das formas de vida. Indigno de caminhar pelo mesmo chão que as outras pessoas. Incapaz de agir, incapaz de se defender. Ofensas verbais ferem mais que ofensas físicas. O intelecto fica em pedaços. Por um tempo, pensei ser um psicopata. Isso se deve a incapacidade de sentir alguma coisa com o contato físico ou sofrimento de terceiros. Hoje percebo que sinto até demais. Percebo o sofrimento dos outros sem saber o que fazer a respeito. Ajo de acordo com o que vejo em filmes. O meu agir é baseado em coisas que vi no Cinema! Não ajo conforme meus sentimentos. Ajo conforme eu acho que eu deveria agir caso a situação fosse uma cena de filme. Mecanismo de defesa acho. Diretrizes mentais.

Se se divertir é errado, eu não quero ser certo. Os psicopatas alcançam os mais altos cargos no mercado de trabalho. Eles não são especiais ou coisas assim, eles são maquiavélicos. Maquiavel costumava dizer que para chegar ao topo de algo é preciso pisar nas pessoas! Por não sentirem, os psicopatas não têm medo de tratar as pessoas como objetos. Leia-se degraus. Sentimentos e coisas assim não entram em suas equações mentais. É quase como se fossem...robôs! Engraçado, né? O mundo recompensa aqueles que são desprovidos de humanidade. Agir como robô. A definição do profissionalismo extremo. Às vezes sinto como se não tivesse um lugar na sociedade. Deve ser porque sou um humano. Eu não tenho espaço entre vocês? Por que? Eu os amo! Muitos passam pelo que eu passo. Talvez haja um trabalho perfeito pra mim, eu algum lugar do mundo. Talvez haja pessoas iguais a mim no mundo. Nunca vou conhecer tal trabalho e tais pessoas. Um dos grandes problemas é a falta de trabalho em grupo. Se todos nós tívessemos um elo mental conectando os pensamentos de toda a humanidade... seríamos melhores. Saberíamos o que fazer. Talvez esse elo mental seja a evolução natural da internet, daqui a umas centenas de anos, se não nos destruírmos com guerras. Enfim, gostaria que cuidássemos melhor uns dos outros como espécie, como seres, como única forma de vida, não tenho certeza se absoluta, mas com certeza num raio de milhões de anos-luz. Gostaria que as pessoas vissem além do conflito. Impossível, somos programados para agir pela emoção, conflitos são consequências disso.

Watashi wa, dareda?

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