Como Agir?

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Exercer empatia é sempre difícil. Precisamos nos colocar na pele de outras pessoas para entender minimamente o que sentem. Não há solução mágica ou remédio milagroso, problemas são solucionados com ações. Falando nisso, preciso ler o Poder da Ação.

As pessoas que apresentam problemas similares entre si, podem se ajudar na busca de soluções para os mesmos. Mesmo quem já passou por certas situações, pode ajudar quem ainda está passando por elas, compartilhando suas experiências.

O povo adora repetir frases feitas, como se fossem conselhos. Essas máximas
populares, gosto de chamá-las de memes verbais, não ajudam muito na prática. Tratam-se de raciocínios muito gerais, de certa forma preguiçosos, que se aplicam a milhares de situações. Não indicam qual a melhor maneira de agir no microcosmos das situações.

Repetindo mais um desses memes verbais: "a vida não tem manual", percebo que o agir é baseado em experiência de vida, tentativa e erro, em repetições de uma mesma situação. Veja, crianças pequenas não têm conhecimento das situações sociais, são indivíduos em formação. Preciso parar de escrever a palavra situação. Exemplo: em um enterro/funeral qual a melhor maneira de agir? Agimos com base na memória de situações anteriores. Ficar quieto, semblante sério, falar baixo, não fazer gracejos. Já crianças não tem esse tipo de memória, por isso é comum receberem reprimendas dos pais, ainda que não saibam o porquê. Os pequenos chegam no funeral, correm para todos os cantos, gritam, choram, falam que querem ir embora, que estão com fome. Esse tipo de situação é meio óbvia. Na dúvida faça o que os outros fazem.

Como animais sociais, não gostamos de nos sentir fora dos grupos, tradições, rituais. Não é como se tivéssemos escolha, aqueles que não seguem as regras são repreendidos, como as reprimendas dos pais e até excluídos pelos demais. Caso não nos adaptemos, temos de viver fora do grupo, sujeitos a loucura e a morte iminente. Isso me lembra Rubião, personagem célebre do romance Quincas Borba. Rubião trabalhava num ofício humilde, era professor na cidade de Barbacena-MG. As circunstâncias da vida o fizeram herdar uma grande fortuna de um amigo que falecera. Tal fato, fez com que Rubião abandonasse seu antigo grupo social e se aventurasse num totalmente novo, a alta sociedade carioca do sec. XIX. No fim, nosso caipira de Barbacena não se adapta ao novo estilo de vida e grupo social, perde a fortuna, é excluído pelos demais do grupo, ao fim do romance encontra-se sozinho e louco, na companhia de seu cão e único amigo.

Mas é fato que Rubião tentou. Quando triscou no novo grupo não quis mais largar, a troco da sua saúde mental e fortuna. Quem tinha pouco, ao fim terminou com nada. Curiosamente, Rubião não sabia como agir dentro desse novo grupo, suas ações eram baseadas em máximas populares (memes verbais, ditados), que não se aplicavam no microcosmos da nova fase de sua vida. Ricos andam de Cupé, ricos têm empregados estrangeiros em casa, ricos se afiliam a partidos políticos, ricos são sócios/donos de jornais, ricos vão a bailes, ricos emprestam dinheiro. Rubião queria participar ávidamente dos rituais de seu novo grupo, queria estar incluso sem que houvesse algum sentido nisso. Rubião era um personagem sem perspectiva e imaginação, seu maior objetivo era ser admirado e querido por seus semelhantes.

Desse modo, percebo que o agir precisa fazer sentido para o agente. Do contrário somos marionetes. Precisamos manter a mente calma, agir por convenções sociais não é sempre o melhor a ser feito. Naturalmente é preciso seguir minimamente as convenções sociais, mas é preciso haver um espaço de respiro, uma área cinza na qual podemos agir conforme achemos melhor, sem pressão externa ou interna, sem julgamentos. No funeral, as convenções nos dizem para respeitarmos o sentimento da família que perdeu o ente. Nesse caso a área cinza, a qual podemos agir sem pressão ou represália,  poderia ser, por exemplo: não chorar, caso não quisesse; Não se aproximar do cadáver, caso não quisesse; Não se misturar à multidão, podendo ficar num local mais reservado; comer e beber, caso quisesse;  etc; Desde que as ações respeitem os sentimentos da família. Se a família está triste não seria uma boa chegar no funeral gritando, ou contando piada.

Partindo desse ponto, pensei em elaborar situações e diagramas que ajudem as pessoas a agirem dentro das áreas cinzas sem se sentirem culpadas. Exemplos de situações mais específicas que se encaixem melhor nos microcosmos. Que nem esse exemplo horrível do funeral. Penso em focar nas pessoas tímidas, assim a gente se ajuda a sobreviver ao mundo. Só espero não abandonar esses projetos de escrita e design. Isso iria enriquecer meu repertório visual e linguístico. Preciso melhorar o meu design, senão ninguém vai querer me contratar e terei que trabalhar a minha vida inteira vendendo artigos ilegais nas estradas.

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