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Tive vontade de escrever em um blog de repente. Muito provável que amanhã ou em um tempo próximo eu não queira mais escrever, haja visto que eu abandono a maioria dos meus projetos. Mas é bom deixar registrado o zeitgeist de minha própria época/realidade. Daqui há uns 30 anos talvez eu visite essa página e leia exatamente o que escrevo agora e lembre exatamente o que eu estava fazendo e sentindo neste momento. Recentemente vi aquele filme Coco da Pixar (ou Viva a vida é uma festa, que título quilométrico pelamor...), o desenho ajudou-me a concluir que a única forma de viver para sempre é através de um legado. As pessoas saberão quem foi você pelo que você deixou ao mundo. Isso pode ser uma música, um livro, uma pintura, uma postagem num blog...

Enfim, quero deixar algo, mas que tenha um valor substancial. Quero dizer, que tenha um valor semiótico. Quero dizer, algo que as pessoas atribuam um significado, algo que as pessoas atribuam certa importância. Por isso preciso me dispor a produzir algo bem feito. Primo pela rapidez, devido à ansiedade, mas com disciplina talvez eu consiga fazer algo que me orgulhe. Quero dizer, nessa década a minha auto-estima anda baixa. Timidezes, frustraçõeses, claro que todos passam por isso. O que cada um faz a respeito da dor que é diferente. Uns escolhem sofrer com ela eternamente, outros tentam canalizá-la para algo...

Prefiro fazer algo a respeito, em vez de me lamentar como normalmente faço, acho melhor gastar meu tempo desenhando, estudando e escrevendo. Nem que seja escrever sobre a minha própria dor. Nem que seja só pra lamentar e reclamar da vida. É difícil manter a cabeça erguida quando você se sente um nada. Mas ser um nada com consciência é melhor. Eu sou um nada com consciência! Eu devo ter algum valor não é possível. Minhas conquistas incluem um diploma de segundo grau e um curso de computador. Acho que eu não tenho muita personalidade, quase sempre tento agradar todo mundo, na esperança de que as pessoas gostem de mim. Só que não funciona. De amigos eu tenho alguns, mas é fato que eles vão sumindo aos poucos. Fico de vitrine olhando as fotos deles no face. Meu amigo gordinho da adolescência ficou muito gato depois que entrou na academia. Ele pega geral. Mas ignora minha mensagens do chat.

Ultimamente tenho me interessado por filosofia. Pensar que há séculos, já se especulava como a sociedade funciona. Quero dizer, a única coisa permanente é a mudança. Entretanto, no que diz respeito ao comportamento humano, isso se mantém imutável. Buscamos as mesmas coisas que as pessoas do século V a.c. buscavam. Poder, fama, din-din, amor, séquiço. Nossa mente funciona da mesma maneira, gritamos quando sentimos raiva, tememos morrer, temos necessidade de pertencer a algum grupo. Sem falar das nossas frustraçõeses, somos rejeitados por nossos semelhantes, não sabemos o que queremos, vidas estagnadas... quero dizer, nascemos e morremos no mesmo lugar, trabalhamos com a  mesma coisa a vida inteira. Vive-se sem expectativa de crescimento. É a realidade da maioria das pessoas. Sabe aquele fazendeiro do DBZ? Então...no final do DBZ lá do Majin Buu ele ainda era um fazendeiro. Tinha se passado uns 400 episódios sei lá e uns 10 anos na cronologia do desenho. Até em um desenho animado as pessoas têm a vida estagnada. Bom, posso me basear no Naruto, ele é um cara esforçado. Por que eu fui citar anime? Otakus estão extintos. Eu me importando com opinião alheia de novo. Francamente eu não vivo, existo.

Que fonte é essa? Times New Roman? Deve ser...
Odeio regras da ABNT. Sabe que fonte eu odeio? Bauhaus 93! 7 em cada 10 letreiros de mercado usam essa fonte. Meu professor de faculdade, certa vez, enquanto eu timidamente apresentava um trabalho na frente da turma toda, me deu uma bronca por eu usar Bauhaus 93 e Berlin Sans. Segundo ele as fontes não funcionavam no trabalho e dificultavam a leitura. Depois disso, tomei trauma dessas fontes. Sempre que as vejo, especialmente a Bauhaus, recordo do episódio e fecho a cara. Infantil, eu sei. Tava relendo aqui acho que o texto ficou bom. A ideia era tirar um sarro de minhas frustrações e consequentemente das frustrações da humanidade de forma engraçada e de quebra treinar a escrita e gastar meu tempo qualitativamente. Devo dizer que foi divertido. Estou menos triste do que quando escrevi a primeira frase. Só tenho que organizar os parágrafos melhor, eu acho, e ter certa coerência no tema.

Comentários

  1. Engraçado, inteligente, muito inteligente, coerente, diferente da minha forma de escrita que é bem mais jogada de qualquer forma, bem como eu falo real life. Acredito que escrever sobre sentimentos nos ajude a extravasar sentimentos. Também quero te indicar um livro O Poder da Ação, você sabe MUITO DOS seus defeitos, tá na hora de falar das suas qualidades e você tem muitas. Valorize !
    Amei seu texto, continue e por favor não desista dos seus projetos. Você é incrível
    Jenny

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    Respostas
    1. ^_^

      Muitíssimo obrigado. Sem dúvida vou ler o poder da ação.

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