Jojo's Bizarre Adventure Capturou Meu Coração

De novo sem pauta! Preciso escrever, é uma habilidade que leva tempo pra se polir.

Tem um desenho/anime/mangá, ou melhor dizer, obra. Tem essa obra chamada Jojo's Bizarre Adventure. Já tinha ouvido falar dessa obra lá pelos anos de 2011 e 2012, sobretudo em 2012, quando o primeiro anime lançou. Até que em 2015 comecei a assistir. E céus...Jesus! Que obra de arte!!! Meu Deus! Depois da infância tive certo desencanto com animes, nunca deixei de gostar deles, sempre os assistirei, mas depois de velho nenhum anime me empolgava tanto quanto na infância. Naquelas fatídicas manhãs vendo DBZ e até Naruto mais tardiamente. Quando estava mais crescidinho, tive contato com o genial Fullmetal Alchemist, mas nem essa obra altamente filosófica e inteligente conseguia me cativar como outrora.

Tem SPOILER de Jojo, porque sim.




Quando em 2015, depois de ver alguns animes de temporada em anos anteriores, comecei a acompanhar a primeira temporada de JOJO NO KIMYOU NA BOUKEN que adapta as partes 1 e 2 do mangá. O comecinho, com o protagonista Jonathan Joestar (Jojo) foi meio parado, chatinho, eu estava a ponto de desistir de ver o anime, parecia arco filler genérico. Quando ele derrota o vilão unidimensional Dio, fiquei mais animado, porque assim acabava meu tormento de assistir esse arco. Fiquei curioso de saber o que acontecia a seguir e entender por que esse anime era tão amado e falado. Pois até então não tinha me cativado. Aí o Jojo se casa e embarca num cruzeiro/Lua de mel com sua amada. O vilão Dio, que tinha sobrevivido à luta, ou melhor, só a cabeça dele sobreviveu, com ajuda de seu assecla consegue entrar escondido no navio em que Jojo se encontra. Pra encurtar esse final de arco, Dio tem uma luta com Jojo dentro do barco, transforma a tripulação em zumbi. No fim, Jojo morre para garantir a sobrevivência de sua amada e o barco explode. Ela consegue escapar da explosão dentro de um caixão.



SIM! Foi a mesma coisa que eu pensei na época. O Jojo morre!!! O protagonista do anime morre!!! Para se ter uma ideia, esse mangá foi publicado em 1987, numa época pré Crônicas de Gelo e Fogo. Isso mesmo! O George R.R. Martin não tinha publicado seu romance A Guerra dos Tronos, ainda. Então, isso de matar personagens principais em obras, não estava na moda ainda. Claro que o Hirohiko Araki, autor de Jojo, não foi o inventor da morte de personagens importantes, não estou dizendo isso. Se eu não me engano, na obra Hamlet, o personagem principal Hamlet morre no final. Há algo de fascinante no reino da Dinamarca! Araki fazer isso num mangá Shounen e popular foi algo único! Ainda mais numa época que ninguém fazia isso com frequência. Eu, enquanto telespectador médio/casual fiquei abismado com tamanha ousadia. E não, o autor não recorreu ao clichê de reviver o personagem com algum artifício mirabolante. Ele morreu e continuou assim.



Até então, eu não estava gostando muito do anime, tava entediante e o protagonista era meio irritante, com seu excesso de cavalheirismo antiquado. Mas esse final da lua de mel no barco foi chocante. Comecei a gostar do protagonista, simpatizei com ele. Quando ele morreu, apesar de ter dado uma guinada na história, me deixou triste. Seus atos corajosos finais me emocionaram muito. Ele era realmente o sol. Sol que ilumina o Mundo corrompido, ou que tenta trazer um pouco de luz ao Mundo. Com o protagonista morto, me perguntei como a história continuaria, lembrando que eu não sabia, na época, como Jojo funciona. Quando vi o preview do próximo episódio, comecei a entender. Em seguida, vi esse episódio posterior à morte do protagonista Jonathan! E naquele momento compreendi!! Jojo continuaria, mas dessa vez o protagonista seria o neto do Jojo que morreu. A história se passaria 50 anos após a morte do primeiro Jojo. Apesar de ter assistido a só 9 episódios da obra, eu estava super empolgado. Super empolgado mesmo!



Vi personagens que eu já conhecia, interagindo com personagens novos! O conceito dessa espécie de passagem de manto foi genial. E de novo, pouco visto nos mangás do gênero e da época. Torci um pouco o nariz para o novo protagonista, Joseph Joestar, também chamado de Jojo. Tive medo dele não estar à altura de Jonathan, que eu gostava muito pouco e que infelizmente não teve muito tempo de tela para que eu gostasse mais dele. Mas Joseph não só estava acima de Jonathan no quesito carisma, como era melhor que ele. Me apaixonei pelo personagem logo no episódio de sua estreia. E tive outra surpresa, esperava um personagem nos moldes de animes do gênero, mas esse personagem era diferente. Ele era o completo oposto de Jonathan. Enquanto Jonathan era um cavalheiro, educado, inteligente, gentil, Joseph, era bruto, mal-educado, falastrão, trapaceiro, preguiçoso, são tantos adjetivos ruins que dão a entender que é um personagem ruim. Mas não, Joseph era um personagem extremamente formidável, tirava sarro da cara dos vilões em momentos muito perigosos! Não era um personagem muito poderoso e focado quanto Jonathan era, Joseph vencia suas batalhas não com golpes poderosos em momentos emocionantes, ele vencia por trapacear, por mentir, por utilizar artifícios incomuns em batalhas, pegando espectadores e vilões de surpresa. "Isso fazia parte do seu plano, Jojo?!!", o vilão Kars para Joseph, "É claro que sim! Desde o início", Joseph mentindo para Kars.


Acabei me perdendo falando desse lindo do Joseph! Mas Jojo conseguiu me empolgar novamente. Não foi a história, algumas vezes batida, que me cativou, foi sua inovação, seu senso catarse, sua atmosfera bizarra, seu visual instigante. Chamar o autor Hirohiko Araki de gênio é pouco. Ao avaliar se gosto de uma obra, geralmente me guio pelos meus sentimentos enquanto a consumo. Por isso, muitas vezes vou além da história. Avaliar uma obra somente pela história é uma forma incompleta de enxergá-la. Coisas como semiótica ou simbologia, diálogos, visual são importantes. Mas o que mais importa, é se a obra conseguiu capturar o seu coração, se conseguiu mexer com as suas emoções de forma positiva, se conseguiu divertir, se conseguiu te envolver aos personagens. Jojo conseguiu preencher minha carência por obras divertidamente ousadas e inventivas, sem se apegar à rigidezes de histórias altamente complexas. Jojo configura meu top 5 melhores animes! Sempre vai ter um lugar em meu kokoro de otaku.







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